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OPRESSÕES

Justiça para Sheila

Por: Fanny Spina França, de Florianópolis, SC

No último domingo, dia 20 de janeiro, Sheila Bombom Prado supostamente cometeu suicídio, na cidade de Tubarão. Sheila, natural de Laguna, foi miss trans de Porto Alegre e era reconhecida pelo ativismo travesti e transsexual da região de Tubarão e Laguna. Muitas ativistas e pessoas próximas a ela afirmam que sua atitude desesperada em se jogar no rio Tubarão é devido a um intenso processo de perseguição e violência que vinha sofrendo por parte de um suposto cafetão da região. A nota de esclarecimento divulgada pela Rede Nacional de Travestis, Transsexuais e Homens Trans demonstra que Sheila já havia procurado ajuda nos órgãos de polícia para sua proteção, mas, como destacado pela nota, os órgãos pertinentes negligenciam as demandas ligadas às denúncias de crimes como discriminação e exploração sexual.

Ainda existem muitas incertezas sobre o ocorrido naquela noite de domingo. As pessoas próximas a Sheila e ativistas LGBTTs da cidade afirmam que ela não tentou se matar, principalmente porque testemunhas relatam que ela pedia ajuda ao ser carregada pela correnteza do rio Tubarão. Todas se perguntam: afinal, quem tem a intenção de se matar clama por ajuda? Mas, infelizmente, em tempos da sociedade do espetáculo as pessoas optaram por gravar o afogamento a procurar ajuda. Apesar das incertezas que rondam o caso, uma coisa é evidente em todos os relatos: a banalidade com que a violência transfóbica é tratada não só pelo poder público, como também pela sociedade em geral. Negar atendimento e proteção para uma travesti violentada e perseguida, e a falta de prestação de socorro enquanto se assiste alguém se afogar, são as evidências.

Mesmo após sua morte, o descaso e desrespeito continuam. Para o registro da certidão de óbito de Sheila Prado o poder público quer negar o uso de seu nome e impor o uso do nome de batismo, não respeitando, assim, a identidade de gênero de Sheila. Não a protegeram e agora visam desrespeitar sua memória. Infelizmente, esta postura está amparada no veto que a poucos dias o governador do estado de Santa Catarina, Carlos Moisés, instaurou, rompendo com o direito do uso do nome social em órgãos públicos.

Exigimos Justiça para Sheila e que os fatos sejam apurados com responsabilidade. Que seu nome seja respeitado.

Foto: Reprodução

Marcado como:
homofobia / transfobia