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Marchezan governa Porto Alegre?

Sul 21
O que mais me chamou atenção ontem, durante as 10 horas de ocupação da Prefeitura, foi que a responsabilidade de “dialogar” com o movimento foi delegada exclusivamente ao comando da Brigada Militar (BM). O prefeito Marchezan preferiu dar poderes políticos à BM do que atender a uma exigência simples: a abertura de uma mesa de negociação. Além de já ter se demonstrado um péssimo articulador, é incapaz de sentar com o movimento para dizer não. A sua linguagem é a da porrada e só.
Um detalhe tragicômico: o comandante era o mesmo que admitiu que a Tropa de Choque depredou a Câmara dos Vereadores.
A BM se prestou a entrar no jogo político. Muita gente brincou que estavam à esquerda do prefeito, já que ele queria a desocupação forçada desde o início da tarde, mas não, Schirmer (Secretário de Segurança) e Sartori faziam o cálculo do que poderia significar uma ação que derramaria sangue de trabalhadoras no Paço Municipal, uma semana antes das eleições, e assim preferiram deixar o prefeito sangrar o dia todo, até por que ele é o rosto de Eduardo Leite (candidato do PSDB ao governo estadual) aos milhões de eleitores da Região Metropolitana.
O apoio da população ao movimento foi grande, pois a vida piora a cada dia em Porto Alegre. Marchezan pode até coesionar a classe média verde-amarela, mas não se governa a cidade a partir do Parcão. Aquela ilha de privilégios é o oposto da vida do povo que batalha. As dissidências constantes no governo provam que Marchezan é um governo frágil e isso tem que nos fazer acreditar mais na nossa mobilização, a lição central de ontem é essa.
Uma hora é o MBL, outra o Sindilojas, outra a BM, quem dirige o Paço Municipal?
Foto: Guilherme Santos, SUL21.